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A Academia das Ciências de Lisboa possui uma das mais importantes bibliotecas do País, resultante da reunião do seu próprio espólio ao da Livraria do Convento franciscano de Jesus, a qual, após a extinção das Ordens Religiosas (1834), foi entregue pelo Estado à Academia, juntamente com o próprio edifício do convento. A Livraria havia sido muito enriquecida por numerosas obras raras adquiridas durante o período em que esteve sob a responsabilidade de Frei Manuel do Cenáculo. Quando este (em 1777) foi ocupar a mitra de Beja, a Livraria serviu, em parte, para apoio de atividades da Aula Maynense, criada pelo Padre José Mayne em 1792, já então em colaboração com a Academia, cuja fundação ocorrera em 1779.

 

 É rica de obras de carácter científico − por exemplo, de Kepler, Newton, Lineu, Buffon, e muitos outros autores de nomeada −, utilizadas especialmente para apoio das atividades docentes praticadas na Aula Maynense. Outras há de Filosofia, Teologia, Literatura e Arte, que incluem incunábulos, manuscritos, periódicos, etc. Avultam as chamadas Série Vermelha (proveniente do Convento) e Série Azul. Além de documentação portuguesa, estão representadas muitas outras proveniências, sendo de realçar, pelo interesse crescente nos nossos dias, núcleos islâmicos e chineses, a par de obras espanholas e de outros países europeus. Uma das peças mais antigas é um pergaminho do início do séc. XII com uma doação da rainha D. Teresa e seu filho, D. Afonso Henriques; outras remontam aos séculos XIV, XV e XVI. O período barroco e neoclássico está igualmente bem representado, sobretudo com espécies que faziam parte da Livraria do Convento de Jesus. Não menos valioso é o fundo editorial dos séculos XIX e XX, sobretudo nas áreas de História e Literatura. Merece também destaque o acervo de publicações seriadas, muitas delas de prestigiadas instituições estrangeiras, na maioria obtidas por permuta.

 

Entre o Património de excecional valia, que importa preservar e resguardar rigorosamente, conta-se a sumptuosa cópia, encomendada por D. Duarte reinando ainda D. João I, da CHRONICA GERAL DE HESPANHA DE 1344; o LIVRO DE HORAS da Condessa de Bertiandos, da primeira metade do séc. XVI; o MISSAL de Estêvão Gonçalves Netto (1610-ca.1620), obra-prima da iluminura portuguesa; o LIVRO DAS ARMADAS, testemunho eloquente das navegações portuguesas, seus êxitos e dramas; o célebre ATLAS DE LÁZARO LUÍS, também do séc. XVI (porventura o primeiro a figurar o Japão); etc.

 Parte da biblioteca está instalada num imponente salão, outrora conhecido por “Salão de Pedro Alexandrino” (homenagem ao autor dos frescos do teto) e hoje o Salão Nobre da Academia, que faz parte de um edifício erigido após o terramoto de 1755 e acrescentado ao Convento, entretanto reparado dos danos sofridos. Foi inaugurado em 1795 pelo Príncipe Regente, D. João VI, e sua Esposa, D. Carlota Joaquina, representados em medalhão. São notáveis: a decoração das estantes, o conjunto de pinturas de Pedro Alexandrino, a própria mesa da Presidência, de madeira trabalhada, e o friso de bustos de personalidades notáveis que domina o espaço da cimalha. A Sala de Leitura – aberta, nos termos regulamentares, a Académicos, Investigadores e ao público em geral – tem vindo a prestar inestimáveis serviços de apoio à investigação em domínios muito diversos. O espólio está devidamente catalogado e em grande parte informatizado. A digitalização vai progredindo na medida das possibilidades.