copia igualdade capa relatorio

Dia Internacional das Mulheres | 8 de março

Assinalando o Dia Internacional das Mulheres, a Academia das Ciências de Lisboa destaca o contributo fundamental das mulheres para o avanço do conhecimento científico e da criação artística e literária.

Num tempo em que o progresso das sociedades depende cada vez mais da diversidade de perspetivas e da igualdade de oportunidades, importa reconhecer o papel decisivo que inúmeras mulheres têm desempenhado — muitas vezes em contextos adversos — no progresso da ciência, das artes e da cultura.

Ao associar-se à celebração desta data internacional, a Academia das Ciências de Lisboa homenageia todas as mulheres que, através do seu talento, dedicação e visão, têm contribuído para o avanço do conhecimento e para a construção de um futuro mais justo e inclusivo. Comemorar este dia é também afirmar a importância da plena participação das mulheres em todas as áreas do saber.

Neste contexto, divulga-se igualmente a recente publicação do relatório internacional Towards gender equality in scientific organizations: assessment and recommendations (fevereiro de 2026), elaborado pelo International Science Council (ISC), pela InterAcademy Partnership (IAP) e pelo Standing Committee for Gender Equality in Science (SCGES). O estudo apresenta a avaliação global mais abrangente até à data sobre a igualdade de género em academias e outras organizações científicas, evidenciando progressos registados na última década, mas também a persistência de desigualdades na representação e no acesso das mulheres a posições de liderança.

O relatório encontra-se disponível em:
https://council.science/publications/towards-gender-equality-in-scientific-organizations/

Gonçalo-M.-Tavares

Gonçalo M. Tavares vence Prémio Formentor

Saudamos Gonçalo M. Tavares, sócio correspondente da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa, pela atribuição do Prémio Formentor das Letras, 2026.

Este importante galardão internacional premeia pela primeira vez um autor português, que se junta a escritores como Jorge Luis Borges, Samuel Beckett, Saul Bellow, Enrique Vila-Matas ou László Krasnahorkai.  Gonçalo M. Tavares vê assim reconhecida, uma vez mais, a suprema qualidade da sua escrita literária.

Parabéns Gonçalo M. Tavares!

António Lobo Antunes

António Lobo Antunes (1942-2026) 

Com profunda tristeza soubemos que morreu hoje, 5 de março de 2026,  António Lobo Antunes. Os seus leitores perdem um dos maiores escritores da literatura contemporânea e um vulto marcante da cultura portuguesa. Mas a sua vasta obra, traduzida em várias línguas, é imortal e universal. 

Médico militar durante a guerra colonial, psiquiatra depois no Hospital Miguel Bombarda, cedo veio a preferir a escrita como profissão. Recebeu diversos prémios literários nacionais e internacionais, foram-lhe outorgadas altas condecorações de Estado, em Portugal e no estrangeiro, e foi várias vezes nomeado para o prémio Nobel da Literatura. 

Foi eleito Sócio Correspondente para a  secção Literatura e Estudos Literários, da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa, em 6 de dezembro de 2016.

A Academia das Ciências de Lisboa presta homenagem a este seu destacado membro e apresenta sentidas condolências aos familiares e amigos de António Lobo Antunes.

Irene FOnseca

Prémio Universidade de Lisboa 2024 atribuído à académica Irene Fonseca

A Academia das Ciências de Lisboa felicita a Distinta University Professor na Carnegie Mellon University (CMU)  Irene Fonseca, sua sócia correspondente estrangeira, pela atribuição do Prémio Universidade de Lisboa

A decisão da atribuição do Prémio Universidade de Lisboa a Irene Fonseca foi divulgada esta quarta-feira, 4 de março de 2026.  De acordo com a deliberação do júri do Prémio da Universidade de Lisboa, esta distinção pretende tornar público o reconhecimento pela “liderança científica mundial e impacto fundamental na matemática contemporânea e por um percurso de excecional rigor e mérito académico que, partindo da Universidade de Lisboa, afirmou Portugal no mapa da ciência internacional”.

capa relatório

Estudo sobre a Igualdade de Género nas Organizações Científicas

O International Science Council /Conselho Internacional de Ciência (ISC), a InterAcademy Partnership /Parceria Interacadémica (IAP) e o Standing Committee for Gender Equality in Science /Comité Permanente para a Igualdade de Género na Ciência (SCGES) realizaram, durante 2025, um estudo global sobre a igualdade de género nas organizações científicas. O Relatório Towards gender equality in scientific organizations:assessement and recommendations, DOI: 10.24948/2026.0, foi publicado em fevereiro de 2026 e apresenta a avaliação global mais abrangente, até à data, sobre o tópico. Encontra-se disponível em: https://council.science/publications/towards-gender-equality-in-scientific-organizations/.

As academias de ciências, medicina e engenharia, em conjunto com as associações científicas internacionais, desempenham um papel importante na definição das agendas científicas, no reconhecimento da excelência científica e no aconselhamento dos decisores políticos. As persistentes disparidades de género nestas organizações, considerando a participação das mulheres na força de trabalho científico, levantam questões sobre a possibilidade de estas poderem participar, liderar e ser reconhecidas nessas organizações em condições de igualdade. A análise descrita no relatório baseia-se em dados obtidos de 136 organizações, respostas a questionários de quase 600 cientistas e uma dezena de entrevistas com representantes de organizações científicas. Tendo por base inquéritos online realizados em 2015 e 2020, o estudo oferece uma perspetiva da evolução, durante dez anos, sobre o progresso e as lacunas que persistem. Identifica barreiras estruturais à igualdade de género e destaca áreas em que as políticas e práticas institucionais contribuíram para alterações mensuráveis.

Principais conclusões do Estudo (com base no divulgado pelos autores)

O progresso é real, embora desigual. Apesar dos ganhos globais desde 2015, as mulheres continuam a estar sub-representadas nas organizações científicas face à sua participação na força de trabalho científico global.

Nas academias nacionais, as mulheres representavam, em média, 19% dos seus membros em 2025, enquanto eram 12% em 2015 e 16% em 2020. Acresce que a proporção de academias com uma representação muito baixa (menos de 10% de mulheres entre os membros) caiu cerca de metade desde 2015.

Nas uniões científicas internacionais, a representação feminina varia principalmente por área, refletindo diferenças nas trajetórias disciplinares e não nos contextos nacionais ou institucionais. As disparidades de género na representação não decorrem de restrições explícitas à elegibilidade das mulheres.

A maioria das organizações científicas reporta procedimentos formalmente abertos e baseados no mérito. No entanto, os processos de nomeação conduzidos pelos membros existentes, juntamente com a dependência de redes informais, continuam a moldar quem é identificado e nomeado. Na maioria dos casos, as mulheres continuam sub-representadas nas listas de nomeações em relação à sua presença na comunidade científica. Uma vez nomeadas, porém, as mulheres são eleitas com taxas ligeiramente superiores à sua participação nas listas de nomeações, indicando que as principais restrições se verificam antes das decisões formais de seleção.

A representação nas academias não equivale a influência. Embora a representação feminina tenha aumentado em muitas organizações, tal não se traduziu consistentemente em cargos de liderança e de tomada de decisão. As mulheres continuam sub-representadas em cargos de presidência e em órgãos de direção superiores, indicando que a influência dentro das organizações permanece desigualmente distribuída. A participação é comparável; as experiências e oportunidades não. As mulheres que servem em organizações científicas participam como os homens mas isso não leva a uma progressão ou reconhecimento comparáveis.

Embora as políticas e práticas de igualdade de género estejam cada vez mais presentes, ainda estãopouco institucionalizadas. Mais de 60% das academias e uniões internacionais referem ter apresentado documentos ou iniciativas políticas com o objetivo de promover a igualdade de género. No entanto, estes esforços limitam-se geralmente à sensibilização ou ao incentivo, e raramente são apoiados por estruturas dedicadas, recursos financeiros ou humanos, ou mecanismos de avaliação. Como resultado, os esforços em prol da igualdade de género tendem a manter-se à margem dos principais processos de governação e, muitas vezes, dependem mais do empenho dos intervenientes individuais do que de um envolvimento institucional sustentado.

IMG_2509

Colóquio “Lhéngua mirandesa: tradiçon i feturo” reuniu especialistas, instituições e comunidade em torno da língua mirandesa

No passado dia 20 de fevereiro de 2026, no âmbito das celebrações do Dia Internacional da Língua Materna, realizou-se, na Casa Comum da Universidade do Porto, o colóquio “Lhéngua mirandesa: tradiçon i feturo”, promovido pelo Centro de Estudos Mirandeses, o Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa e o Centro de Linguística da Universidade do Porto.

Ao longo de um dia de reflexão, partilha e celebração, o encontro reuniu investigadores, docentes, representantes institucionais e agentes culturais para pensar a língua mirandesa nas suas várias dimensões: património, ensino, criação artística, território, documentação histórica, políticas linguísticas e futuro.

As intervenções evidenciaram a vitalidade do mirandês e a importância do trabalho conjunto entre comunidade, escola, investigação e instituições públicas. Ficou também clara uma ideia central do colóquio: “tradiçon i feturo” não é apenas um tema — é um programa de trabalho, que exige continuidade, cooperação e compromisso.

O evento contou ainda com momentos de forte simbolismo cultural, incluindo a participação dos Pauliteiros de Miranda, sublinhando que a tradição se mantém viva quando é partilhada, praticada e renovada.

O Livro de Resumos, publicado em acesso aberto, constitui um primeiro passo para preservar e divulgar o conhecimento produzido neste encontro, abrindo caminho a novas parcerias, projetos e iniciativas em torno da língua mirandesa.

Biba la lhéngua mirandesa!

descarregar

Pedido de participação | O que pedir a um dicionário inteligente

O Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa (ILLLP) da Academia das Ciências de Lisboa está a trabalhar para melhorar a forma como as pessoas interagem com dicionários digitais. Para isso, quer descobrir novas maneiras de explorar o conhecimento de um dicionário de língua portuguesa.

Normalmente, para consultar um dicionário (em livro ou online), procuramos uma palavra e acedemos ao respetivo verbete ou entrada. Este é o modo de consulta mais habitual, e praticamente o único, desde que existem dicionários. No entanto, este modelo é muito rígido e pode ser limitador, porque nem sempre permite tirar partido de todo o conhecimento que um dicionário guarda, de forma implícita e explícita.

Para dar o seu contributo, imagine que está a conversar com o dicionário e que este lhe pode responder de imediato. Procure redigir, no mínimo, 10 perguntas que um utilizador real faria a um dicionário inteligente. 

O tempo estimado de resposta é de aproximadamente 15 a 25 minutos, variável consoante o ritmo de cada participante.

Que perguntas lhe faria?
Que respostas gostaria de receber?

Não precisa de pensar em perguntas “certas”, quanto mais variadas e pertinentes, melhor! Puxe pelo seu dicionário!

Pode, por exemplo, incluir pedidos como:
“Que palavra(s) posso usar para expressar a ideia de…?”
“Quais são os antónimos de…?”
“Como posso dizer isto de forma mais formal/informal?”
“Que palavras semelhantes existem, mas com um sentido mais específico?”

Escreva todas as perguntas que lhe ocorrerem, de forma espontânea e natural.

Declaração de consentimento do questionário: Por favor, leia atentamente as informações aqui apresentadas antes de participar.

Acesso ao formulário até final de março: https://forms.gle/7vqrnNy3KKHKFuDS6

 

Montagem para o Notícias

Rui Martins distinguido com o grau de Comendador da Ordem de Mérito de Portugal

A Academia das Ciências de Lisboa felicita o seu sócio efetivo, Rui Martins, pela distinção com o grau de Comendador da Ordem de Mérito de Portugal, atribuída pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa.

Esta distinção do vice-reitor da Universidade de Macau é um reconhecimento de Portugal pelo seu contributo para o desenvolvimento de Macau. A cerimónia decorreu no dia 11 de fevereiro no Auditório do Consulado-Geral de Portugal em Macau, onde aquele distinto membro da Classe de Ciências efetuou a apresentação intitulada Macau – Um Lugar Único!

portulan clarin

Consórcio PORTULAN CLARIN LVT

O consórcio PORTULAN CLARIN LVT integra a infraestrutura nacional PORTULAN CLARIN, dedicada à Ciência e Tecnologia da Linguagem, com o objetivo de apoiar a investigação, o desenvolvimento tecnológico e a inovação na língua portuguesa.

No âmbito do Programa Regional de Lisboa 2021–2027 (Lisboa 2030), foi aprovada a candidatura apresentada pela Academia das Ciências de Lisboa [LISBOA2030-FEDER-01316900], com financiamento do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), visando a expansão e o aperfeiçoamento desta infraestrutura estratégica.

A PORTULAN CLARIN integra o Roteiro Nacional de Infraestruturas de Investigação de Relevância Estratégica, promovido pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, e é parte da infraestrutura internacional CLARIN ERIC, incluída no roteiro ESFRI da União Europeia.

Consórcio

O consórcio PORTULAN CLARIN LVT é constituído pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e pela Academia das Ciências de Lisboa, cuja adesão recente reforça de forma decisiva as dimensões científica, linguística e lexicográfica da infraestrutura.

Esta colaboração representa uma aposta estratégica na preparação da língua portuguesa para os desafios da transformação digital e da inteligência artificial (IA), assegurando a sua sustentabilidade, competitividade e relevância no contexto científico e tecnológico internacional.

Objetivos

O projeto tem como principais objetivos:

  • Expandir e consolidar a infraestrutura PORTULAN CLARIN enquanto referência nacional e internacional;
  • Reforçar o apoio à investigação em ciência e tecnologia da linguagem;
  • Promover a aplicação da IA à língua portuguesa, respeitando a sua especificidade linguística e cultural;
  • Assegurar o acesso aberto aos resultados do projeto, em alinhamento com os princípios da ciência aberta.

Principais Atividades

A execução do projeto permitirá:

  • O desenvolvimento de novos serviços avançados de processamento de linguagem natural, incluindo soluções baseadas em IA generativa;
  • A ampliação e enriquecimento do repositório de dados linguísticos da infraestrutura, incorporando recursos inovadores que potenciam aplicações de IA à língua portuguesa;
  • A criação e disponibilização de corpora representativos e de elevada qualidade;
  • A integração de bases lexicais e recursos linguísticos em Grandes Modelos de Linguagem (LLM);
  • A oferta de serviços avançados, como chatbots heurísticos, sistemas de transcrição multimodal e ferramentas de apoio à investigação linguística.
  • O treino de modelos de linguagem para o português.

Durante o desenvolvimento do projeto, serão disponibilizadas novas versões dos modelos de linguagem generativa desenvolvidos para a língua portuguesa, bem como outros modelos de código aberto especialmente adaptados ao português.

Estas atualizações permitirão avanços significativos em áreas como a tradução automática, os sistemas de resposta a perguntas, a análise textual e a investigação linguística, contribuindo para o fortalecimento do ecossistema digital da língua portuguesa.

Impacto e Relevância

A participação da Academia das Ciências de Lisboa reafirma o seu compromisso com o desenvolvimento tecnológico da língua portuguesa, garantindo que esta evolua em consonância com os mais recentes avanços da IA.

Este projeto contribui para a promoção da cidadania digital dos falantes de português e para a afirmação da língua como um ativo geoestratégico de primeira importância. Paralelamente, promove a cooperação científica e a internacionalização, reforçando a presença do português no ecossistema global de IA e assegurando a sua relevância e competitividade em múltiplos setores científicos, educativos, culturais e económicos.

Equipa (coordenação)

António Branco (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa)
Amália Mendes (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
Ana Salgado (Academia das Ciências de Lisboa)

 

encontro_prticipação_secundária

Direito de Publicação Secundária em debate na Academia das Ciências de Lisboa

A Academia das Ciências de Lisboa acolheu, no passado dia 5 de fevereiro, o encontro dedicado ao Direito de Publicação Secundária. A sessão teve início com as boas-vindas do Presidente da Academia das Ciências de Lisboa, José Francisco Rodrigues, e contou com as intervenções de Manuel Aleixo, do Gabinete da Comissária para as Startups, Investigação e Inovação da Comissão Europeia, de Shaofeng Hu, Diretor da Divisão de Políticas de Ciências Fundamentais da UNESCO, e de Maria Fernanda Rollo, académica da Classe de Letras, que apresentou uma proposta de intervenção legislativa em Portugal.

O encontro, que incluiu uma mesa-redonda com especialistas, decisores políticos e universitários europeus que debateu a construção de um ecossistema de conhecimento aberto na União Europeia, foi organizado pela Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas, Profissionais da Informação e Documentação (BAD), pela COMMUNIA, pela Knowledge Rights 21 e pelas Universidades de Coimbra, do Minho e Nova de Lisboa, contando com a colaboração da Academia das Ciências de Lisboa e o apoio da OPERAS-PT.