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Evocação de Isabel Maria de Magalhães Collaço

No passado dia 23 de setembro, por ocasião do centenário do nascimento de Isabel Maria de Magalhães Collaço (1926-2026), a Academia das Ciências de Lisboa promoveu uma sessão de homenagem ao percurso universitário e cívico desta distinta professora de Direito, que foi sócia da Academia. A cerimónia contou com o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República e com a presença e os testemunhos de várias personalidades que acompanharam de perto a carreira pública de Isabel Maria de Magalhães Collaço.

A sessão começou com a intervenção do presidente da Academia das Ciências de Lisboa, José Francisco Rodrigues, que destacou o percurso da Professora Magalhães Collaço em geral e na Academia das Ciências em particular. Seguidamente, João Carlos Loureiro, presidente do Tribunal Constitucional, enalteceu o seu papel na revisão do Código Civil de 1977, bem como na construção do Estado Constitucional, desde logo enquanto membro do Conselho de Estado durante o Processo Revolucionário em Curso. Eduardo Vera Cruz Pinto, diretor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em comunicação gravada, e Dário de Moura Vicente, em comunicação presencial, realçaram a contribuição de Isabel Maria de Magalhães Collaço na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Por fim, Maria da Glória Garcia destacou o percurso singular da professora Magalhães Collaço, agraciada por Mário Soares com a Grande-Cruz da Ordem Militar de Cristo, em 8 de março de 1996, no seu último ato público como presidente da República Portuguesa, e agraciada também, a título póstumo, pelos Presidente da República Jorge Sampaio e pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa.

Durante a evocação, Marcelo Rebelo de Sousa partilhou o seu testemunho pessoal, lembrando ter conhecido a professora Magalhães Collaço antes mesmo de entrar na Faculdade de Direito. Jorge Miranda destacou, por sua vez, o seu papel na Comissão Constitucional entre 1976 e 1979. Rui Moura Ramos salientou a sua participação em várias entidades e conferências internacionais, nomeadamente como delegada nas Conferências de Haia. Leonor Beleza relatou momentos vividos com a professora Magalhães Collaço ao longo do seu percurso académico, bem como o trabalho desenvolvido no âmbito da revisão do Código Civil, em 1977. Por fim, Dário Moura Vicente evidenciou a aprendizagem contínua com a professora Magalhães Collaço e a sua importância na elaboração da Lei da Arbitragem, em 1986. António Menezes Cordeiro finalizou a evocação, salientando a contribuição científica da professora Magalhães Collaço ao longo da sua carreira académica.

Maria Helena Brito fez uma pré-apresentação do livro “Deixar marca no direito, na sociedade, no tempo”, que está a ser composto a partir de textos, pareceres e acórdãos da Comissão Constitucional, da autoria de Isabel Maria de Magalhães Collaço.

José Luís Cardoso encerrou a cerimónia, realçando os múltiplos percursos e participações de Isabel Maria de Magalhães Collaço, que lhe conferem um papel singular, inegável e inesquecível na sociedade portuguesa.

 

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Vencedora – 9.ª Edição do Prémio de Historia Alberto Sampaio

A Academia das Ciências de Lisboa tem o prazer de anunciar que Beatriz Sofia Correia é a vencedora da 9.ª edição do Prémio de História Alberto Sampaio, com o ensaio “O Direito Punitivo sobre a Violência Conjugal na Diocese de Coimbra durante a Primeira Metade do Século XVIII: da teoria à prática”. Tendo sido deliberada a atribuição deste Prémio por unanimidade, o Júri sublinhou a solidez e a qualidade científica do trabalho apresentado, bem assim como o seu excelente contributo para um melhor conhecimento da Mulher no contexto da sociedade do período final da Época Moderna.

Beatriz Sofia Correia é licenciada em História (2021) e mestre em História da Época Moderna (2024) pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Doutoranda na mesma área científica e na mesma Faculdade, é investigadora no Centro de História da Sociedade e da Cultura da Universidade de Coimbra. Pós-Graduada em Direito Penal Económico, Internacional e Europeu (2023) pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, frequenta desde 2022 a licenciatura em Direito da mesma instituição.

O prémio Alberto Sampaio reconhece trabalhos de excelência na área da História e tem como objetivo promover e incentivar investigações de qualidade neste campo. A Academia das Ciências de Lisboa felicita Beatriz Sofia Correia pelo seu trabalho notável e pelo merecido reconhecimento com o Prémio de História Alberto Sampaio. A Academia das Ciências de Lisboa agradece a todos os participantes e envolvidos neste prémio e reitera o seu compromisso em apoiar e promover a investigação histórica em Portugal. Para mais informações sobre o Prémio de História Alberto Sampaio e outras iniciativas da Academia das Ciências de Lisboa, por favor, visite o nosso site.

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Prémios da Academia das Ciências de Lisboa aos melhores alunos do Ensino Secundário (com o apoio da Fundação Amélia de Mello) – Edição 2026

Informação complementar: O prazo para submissão de candidaturas dos Prémios do Ensino Secundário estender-se-á extraordinariamente, nesta edição, até dia 30 de setembro de 2026

Os prémios António Vieira, Alexandre Herculano e Pedro Nunes, instituídos pela Academia das Ciências de Lisboa, destinam-se a reconhecer o mérito e a estimular as vocações de alunos do ensino secundário que se destaquem nas disciplinas de Português (Prémio António Vieira), História A (Prémio Alexandre Herculano) e Matemática A (Prémio Pedro Nunes). Os prémios, no valor anual de 3.000 euros cada, serão financiados pela Fundação Amélia de Mello e visam distinguir os melhores alunos nas disciplinas mencionadas.


As candidaturas podem ser efetuadas até 30 setembro de 2026.

Para mais informação consulte o seguinte link: https://www.acad-ciencias.pt/academia/premios/

Em memória de Joaquim Cerqueira Gonçalves (1930–2026)

A Academia das Ciências de Lisboa manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento, no dia 22 de agosto de 2026, do Professor Doutor Joaquim Cerqueira Gonçalves, Sócio Emérito da Classe de Letras, figura maior da filosofia portuguesa contemporânea.

Nascido em Gaifar, Ponte de Lima, em 1930, Joaquim Cerqueira Gonçalves foi sacerdote franciscano, filósofo e professor universitário. Fez a sua formação em Filosofia Escolástica no Instituto Católico de Toulouse e em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde apresentou, em 1962, a dissertação Essência e existência no pensamento de João Duns Escoto e se doutorou, em 1970, com a tese Homem e Mundo em São Boaventura.

Professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, exerceu durante quase quatro décadas um magistério que marcou sucessivas gerações de estudantes e investigadores. Foi Presidente do Conselho Científico daquela Faculdade, Diretor da Revista da Faculdade de Letras, fundador e Diretor da revista Philosophica e Coordenador Científico do Centro de Filosofia. Manteve também uma relevante ligação à Universidade Católica Portuguesa, onde exerceu funções docentes e de coordenação, tendo sido Presidente da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa e Diretor do Instituto de Coordenação Científica da mesma universidade (ICIC). Integrou ainda, entre outras instituições, o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.

Medievalista de referência e pensador original, desenvolveu uma vasta obra em torno de autores como Santo Agostinho, São Boaventura e João Duns Escoto, alargando a sua reflexão a alguns dos grandes problemas da filosofia e da cultura contemporâneas. A sua obra, reunida em grande parte nos três volumes de Itinerâncias de Escrita, atravessa os domínios da filosofia, da cultura, da linguagem, da educação e da ecologia, sendo marcada pelo sentido franciscano da fraternidade, pela atenção à dignidade de todos os seres e por uma permanente abertura ao diálogo e à liberdade do pensamento.

A sua relação com a Academia das Ciências de Lisboa prolongou-se por mais de três décadas. Eleito Sócio Correspondente em 18 de maio de 1989, passou a Sócio Efetivo em 19 de março de 2008 e a Sócio Emérito em 26 de janeiro de 2017. Participou assiduamente nas sessões da Classe de Letras, apresentou numerosas comunicações e interveio regularmente nos seus debates. Representou também a Academia no Conselho Nacional de Educação, missão que desempenhou até janeiro de 2017.

A Academia recorda igualmente o Professor Joaquim Cerqueira Gonçalves como um Mestre que entendia o ensino não como transmissão de um pensamento acabado, mas como convite a pensar. A generosidade intelectual, a simplicidade, a liberdade de espírito e o profundo sentido de fraternidade que caracterizaram a sua vida e o seu magistério permanecerão na memória dos seus alunos, colegas e confrades.

Agraciado, em 2002, com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, Joaquim Cerqueira Gonçalves deixa uma obra de singular relevância para a filosofia e para a cultura portuguesas e o exemplo de uma vida inteiramente dedicada ao pensamento, ao ensino e ao serviço da comunidade.

A Academia das Ciências de Lisboa presta sentida homenagem à memória do seu ilustre Sócio Emérito e apresenta à sua família, à Ordem dos Frades Menores, aos seus discípulos, colegas e amigos as mais sentidas condolências.

Em memória do Professor Carvalho Guerra (1932-2026)

A Academia das Ciências de Lisboa evoca, com profundo pesar, a memória de Francisco Carvalho Guerra, Sócio Correspondente da Classe de Ciências, 6.ª Secção — Ciências Médicas e da Saúde, figura maior da vida científica, académica e institucional portuguesa.

Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e da Universidade Católica Portuguesa, distinguiu-se nas áreas da Bioquímica, da Química Farmacêutica e da Biotecnologia, tendo contribuído decisivamente para a consolidação do ensino superior e da investigação científica em Portugal.

Presidiu ao Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa e teve um papel fundador na afirmação desta instituição na cidade e na Região Norte. Foi o primeiro Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Presidente da Sociedade Portuguesa de Bioquímica e cofundador da Sociedade Portuguesa de Ciências Farmacêuticas.

Homem de ciência, de instituições e de serviço público, Carvalho Guerra marcou profundamente o Norte do País, contribuindo para a sua afirmação no panorama nacional e internacional. A sua intervenção estendeu-se ainda às relações com os países africanos de língua portuguesa, ao desenvolvimento regional e à reflexão ética nas ciências da vida.

Foi agraciado com várias honrarias, incluindo: Grande-Oficial da Ordem da Instrução Pública (1985), Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo (1995), concedida pelo Presidente da República Jorge Sampaio, Comenda de São Gregório Magno, concedida pelo Papa João Paulo II, em 2003 e Comenda da Ordem Equestre de São Gregório Magno, concedida pelo Papa Francisco, em 2020.

A Academia das Ciências de Lisboa presta homenagem a um académico distinto, cuja obra científica, capacidade de liderança e dedicação ao bem comum permanecem como exemplo para as gerações futuras. À sua família, amigos, discípulos e a todos aqueles que com ele privaram e trabalharam, apresenta sentidas condolências.

Em memória do Professor Arantes e Oliveira (1933–2026) 

A Academia das Ciências de Lisboa manifesta o seu mais profundo pesar pelo falecimento do Professor Doutor Eduardo Romano de Arantes e Oliveira, ilustre cientista, engenheiro, professor universitário e académico, que presidiu à Academia das Ciências de Lisboa em 2007, 2009 e 2011. 

Ao longo de uma carreira notável e amplamente reconhecida, distinguiu-se pelo seu relevante contributo para o desenvolvimento da ciência, da engenharia e do ensino superior em Portugal. Professor Catedrático do Instituto Superior Técnico e Diretor do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (1991-1998), exerceu diversas funções de elevada responsabilidade académica e governativa, sempre pautadas por um exemplar sentido de serviço público. Desempenhou os cargos de Secretário de Estado do Ensino Superior e Investigação Científica (1978–1979), Secretário de Estado da Investigação Científica (1985–1987) e Secretário de Estado da Ciência e Tecnologia (1987–1988). No âmbito universitário, foi Vice-Reitor da Universidade Técnica de Lisboa (1972–1977), Reitor da mesma Universidade (1977–1987) e Presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas em 1985. 

O seu percurso foi amplamente distinguido por numerosas condecorações e homenagens, entre as quais se destacam a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, atribuída em 2001, e a Medalha de Mérito Científico (Ouro) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em reconhecimento do seu excecional contributo para o progresso científico e tecnológico do País. 

A Academia das Ciências de Lisboa presta homenagem à memória, à obra e ao legado do seu sócio emérito Eduardo Romano de Arantes e Oliveira e à sua família, amigos, discípulos e a todos aqueles que com ele privaram e trabalharam, apresenta as suas mais sentidas condolências. 

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Boletim da Academia das Ciências de Lisboa – Vol. III – Ano de 2025

A Academia da Ciências de Lisboa acaba de publicar o volume III da 3.ª série do seu BOLETIM relativo ao ano de 2025. Dando continuidade ao volume I, do ano de 2023, e ao volume II, do ano de 2024, o Boletim inclui as atas das  Sessões das Classes de Ciências e de Letras e o seu Relatório anual complementado com a compilação das notícias das atividades ao longo do ano de 2025. O respetivo Editorial é assinado pelo Presidente da Academia.

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Mónica Bettencourt-Dias assumiu a Direção do Centro de Regulación Genómica (CRG), em Barcelona

A Academia das Ciências de Lisboa felicita a sua Académica Correspondente da Secção de Ciências Biológicas Mónica Bettencourt-Dias, que se tornou a primeira mulher e a primeira personalidade não espanhola a dirigir o prestigiado Centro de Regulación Genómica (CRG), em Barcelona. Empossada em maio passado, a investigadora portuguesa vai dirigir cerca de 480 investigadores de 47 nacionalidades, num instituto de referência internacional no domínio da biologia e da genómica.

Em entrevista ao jornal El País, publicada a 10 de julho, Mónica Bettencourt-Dias sublinhou o ambiente que encontrou em Barcelona: “Aqui vejo uma visão a longo prazo, algo que não é frequente noutros lugares. Em Barcelona, independentemente das mudanças de Governo, vemos que tem sempre havido apoio à Ciência.”

A Academia das Ciências de Lisboa endereça à sua Académica as maiores felicitações por esta distinção e formula votos de pleno sucesso nesta nova e exigente missão, que muito honra a ciência portuguesa e projeta internacionalmente o percurso desta destacada investigadora.

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Academia das Ciências de Lisboa acolhe delegação de legisladores americanos

Numa iniciativa integrada nas ações de acolhimento de políticos americanos de ascendência portuguesa, promovidas pela FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, a Academia das Ciências de Lisboa recebeu no passado dia 6 de julho de 2026 a visita de 22 legisladores de cinco estados americanos.

Os visitantes assistiram a uma conferência de José Luís Cardoso, Presidente da Classe de Letras da ACL, sobre a figura de José Correia da Serra, um dos principais fundadores da ACL que viveu nos Estados Unidos da América entre 1812 e 1820. Correia da Serra foi o primeiro embaixador de Portugal em Washington, nomeado em 1816. Os dotes científicos de Correia da Serra cativaram os seus pares americanos e, muito especialmente, Thomas Jefferson, um dos mais destacados pais-fundadores da nação americana e autor da Declaração de Independência que celebra 250 anos em 2026. 

Durante esta visita, Henrique Leitão mostrou e comentou algumas das preciosidades da Biblioteca da ACL.

A delegação americana foi acompanhada pela direção da FLAD, instituição que tem mantido com a ACL regulares relações de cooperação e de apoio mecenático.

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Miguel Bastos Araújo eleito Fellow da Linnean Society of London

A Academia das Ciências de Lisboa congratula-se com a eleição de Miguel Bastos Araújo, Sócio Correspondente da Secção de Geografia e Ordenamento do Território, da Classe de Letras, como Fellow da Linnean Society of London, distinção que reconhece o seu contributo científico no domínio da biodiversidade, da biogeografia, da ecologia e das alterações globais.

A Linnean Society of London, fundada em 1788, é uma das mais antigas e prestigiadas sociedades científicas dedicadas ao estudo da história natural, da biodiversidade e das ciências biológicas, bem como à promoção e divulgação do conhecimento científico nestes domínios.

Miguel Bastos Araújo tem desenvolvido uma carreira científica de grande projeção internacional, centrada no estudo da distribuição da biodiversidade no espaço e no tempo, bem como na modelação dos impactos das alterações climáticas e das mudanças no uso do solo sobre os sistemas naturais.

A Academia das Ciências de Lisboa felicita vivamente o académico Miguel Bastos Araújo por este importante reconhecimento internacional, que honra o seu percurso académico e científico, a Secção de Geografia e Ordenamento do Território e a comunidade científica portuguesa.