No dia 1 de setembro, a Academia das Ciências de Lisboa (ACL) recebeu a visita da Secretária de Estado da Ciência e da Inovação, Helena Canhão. Após a visita às instalações da Academia, em particular ao Museu e ao espaço de intervenção das obras do armazém, a Professora Helena Canhão teve uma reunião de trabalho com o Conselho Administrativo da ACL onde lhe foram apresentados os problemas correntes, alguns urgentes, para o seu funcionamento, bem como algumas iniciativas em curso, tendo sido ainda abordadas questões relacionadas com a anunciada reorganização pelo Governo do sistema científico nacional.
Mário Júlio Almeida e Costa (1927-2025)
Faleceu no passado dia 6 de agosto de 2025 o académico Mário Júlio Almeida e Costa, sócio efetivo e decano da secção
de Direito da Classe de Letras da ACL. Respeitando o pedido apresentado pela família, não foi feita nessa data nenhuma nota de pesar sobre esta triste notícia. Apresentamos agora aos familiares e amigos de Mário Júlio Almeida e Costa sentidas condolências pelo seu falecimento.
Mário Júlio Almeida e Costa era licenciado e doutorado em Ciências Histórico-Jurídicas pela Universidade de Coimbra, onde iniciou na década de 1950 uma longa carreira universitária. Lecionou também na Universidade Católica Portuguesa, na Universidade Lusíada e na Universidade Lusófona. Exerceu cargos políticos de relevo na fase final do Estado Novo, como Ministro da Justiça (entre 1967 e 1973) e como Presidente da Câmara Corporativa (1973-1974). Da sua vasta bibliografia destacam-se contribuições marcantes nos domínios da História do Direito, do Direito Civil e do Direito das Obrigações.
Uma Oferta de Mobilidade
Oferta de emprego público de recrutamento de mobilidade na categoria para 1 Técnico Superior
O profissional selecionado para a posição de Técnico Superior irá desempenhar funções de apoio à contratação pública; Contratos Públicos (BaseGov), apoio aos Recursos Humanos,
apoio à gestão financeira, orçamental, contabilidade e tesouraria e exercer as demais atribuições e tarefas que lhe sejam cometidas pelos superiores hierárquicos.
Habilitação Literária: Licenciatura Preferencialmente nas áreas de Economia, Gestão, Contabilidade e Administração Pública
Técnico Superior: OE202507/1201
Candidatura até dia 29 de agosto de 2025
DOCUMENTO DO MÊS (AH) | AGOSTO 2025
Catálogo da galeria do Padre Mayne que se há de arrematar em hasta publica perante o Conselho Administrativo da Academia Real das Ciências de Lisboa no dia 27 e seguintes do corrente mês de novembro às 11 horas da manhã (novembro de 1864)
Código de referência: PT/ACL/ACL/L-A/002/000010
O Arquivo Histórico da Academia das Ciências de Lisboa divulga, no mês de agosto, o “Catálogo da Galeria do Padre Mayne”. Este catálogo foi publicado no âmbito da arrematação pública de um conjunto de 429 pinturas, realizada a partir do dia 27 de novembro de 1864. As obras leiloadas estão descritas em 14 páginas, com a indicação das suas dimensões e dos motivos retratados, desde cenas naturalistas/paisagísticas a representações de caráter religioso. Sabe-se que alguns dos quadros leiloados foi adquirida pela Academia Real de Belas Artes, integrando então a Galeria Nacional de Pintura (cf. Catálogo Provisório…, 2.ª ed., 1872, p. 14). Este documento testemunha o esforço colecionista empreendido, em finais do século XVIII, pelo franciscano Padre José Mayne (1728-1792), visando o enriquecimento do acervo do Convento de Jesus, cujo edifício, em 1834, viria a tornar-se a sede da Academia das Ciências de Lisboa. A reconstituição desta galeria a partir do catálogo em destaque permite hoje obter uma visão global e aprofundada de uma coleção oitocentista de espírito iluminista, bem como o reconhecimento de um importante núcleo museológico, sito em Lisboa, à semelhança do de Frei Manuel do Cenáculo (1724-1814), em Beja e em Évora.
Arquivo Histórico da Academia das Ciências de Lisboa
Carlos Ascenso André distinguido com o Prémio D. Diniz
Carlos Ascenso André, Presidente do Conselho Científico da Academia das Ciências de Lisboa (ACL), foi distinguido com o Prémio D. Diniz da Fundação Casa de Mateus pela tradução do livro A Arte de Amar, de Ovídio, edição da Quetzal Editores em 2024.
O académico, sócio efetivo da 2.ª Secção da Classe de Letras da ACL – Filologia e Linguística – tem uma vasta obra publicada nos domínios da literatura clássica latina e dos estudos camonianos. Merecem destaque as suas rigorosas traduções de textos clássicos, de que são exemplos a obra agora premiada e a recente tradução da Eneida, de Virgílio, publicada em Portugal e no Brasil.
Reunião Council EASAC
Nos dias 10 e 11 de junho, a EASAC realizou uma reunião presencial do Conselho da EASAC em Amesterdão, presidido pelo Prof. Wim van Saarloos que termina o seu mandato em dezembro de 2025. A reunião foi organizada pela Academia Real Neerlandesa de Artes e Ciências (KNAW). A ACL esteve representada pelo académico Claudio Sunkel. Na agenda deste encontro, foram discutidos tópicos como a confiança na ciência, os desenvolvimentos políticos em Bruxelas, da prevenção de incêndios florestais à segurança energética e ao aconselhamento sobre alternativas à carne — todos fundamentais para moldar um futuro mais sustentável e equitativo para a Europa. Os participantes debruçaram-se também sobre a otimização de formas de trabalho e a capacidade de resposta da organização para aumentar o impacto político. Entre outras questões debatidas, salienta-se a discussão sobre o estatuto de membro associado, aplicável a Academias de países em vias de adesão à União Europeia; o estatuto fundacional da EASAC e as suas benesses na possibilidade de captação de financiamento; formas de representação mais ativa em Bruxelas; e as futuras prioridades da presidência dinamarquesa da União Europeia, desde 1 de julho de 2025, nomeadamente o reforço do empenho na tónica da competitividade no espaço comum.
Durante este encontro foi também ratificada a eleição de Lise Ovreas para o próximo mandato da presidência da EASAC. Lise Ovreas é professora de Geomicrobiologia na Universidade de Bergen, Noruega e foi presidente da Academia Norueguesa de Ciências e Letras da Noruega (DNVA) em 2022-2024. É doutorada em microbiologia pela Universidade de Bergen desde 1998 e tornou-se professora catedrática em 2007. Fez parte do Norwegian Research Funded Center of Excellence (COE) em Geobiologia da Universidade de Bergen de 2007 a 2012, onde liderou o grupo de trabalho “The Deep Biosphere”. Através do CdE, participou em vários trabalhos de campo e cruzeiros de investigação no Oceano Ártico, bem como no Oceano Pacífico. Entre os seus interesses de investigação, regista-se a diversidade microbiana e ecologia ao longo de gradientes ambientais.
Na segunda parte do encontro, Claudio Sunkel apresentou as várias iniciativas recentes realizadas pela ACL em 2025 como a apresentação do relatório Security of sustainable energy supplies, a dia 29 de abril, após o apagão ocorrido na Península Ibérica; a apresentação sobre o relatório sobre Changing wildfires, a dia 26 deJunho na ACL, assim como informações sobre a inicitaiva Meat Alternatives e o evento sobre Science Diplomacy que decorreu em março de 2025.
Foi também discutida a possibilidade de eleição de novos Vice-Presidentes para o EASAC, tendo o Prof. Claudio Sunkel manifestado a sua disponibilidade para o efeito.
Destaque da Biblioteca | Julho 2025
“Doação de D.Teresa da Herdade do Carvalhar e doação do Infante D. Afonso do condado e da igreja do Mosteiro de Refoios”, documento o séc. XII, cuja cota é “MA 1590″ é o destaque da Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa para o mês de julho.”
Incêndios florestais em discussão na Academia das Ciências de Lisboa
No dia 26 de junho, entre as 15h e as 17h30, realizou-se, na Academia das Ciências de Lisboa (ACL), um evento em torno do tema dos Incêndios Florestais e das Opções Políticas para uma Europa com conhecimento e adaptação ao Fogo. O evento, presidido pelo Presidente da ACL, José Francisco Rodrigues, coincidiu com uma sessão da classe de Ciências.
O evento teve por objetivo apresentar e discutir um relatório recente do EASAC-Changing Wildfires –Policy Options for a Fire-literate and Fire-adapted Europe cujodocumento está disponível em https://easac.eu/publications/details/changing-wildfires. Este relatório, sobre um problema complexo e de enorme interesse nacional como é o dos incêndios florestais, foi elaborado por um grupo de 23 cientistas e outros peritos indicados por academias de Ciências Europeias, entre as quais a nossa academia.
O aconselhamento científico independente em matérias cruciais para o desenvolvimento do País é uma das missões da ACL que se afirma como um espaço de reflexão crítica e de diálogo interdisciplinar ao serviço da sociedade. É neste contexto que participa em várias associações internacionais que têm por objetivo promover o aconselhamento científico independente na formulação de políticas públicas. Entre elas o EASAC que é o conselho consultivo científico das academias europeias e que promove o uso da evidência científica independente na formulação de políticas públicas europeias, contribuindo para decisões informadas e sustentáveis nos domínios da saúde, energia e ambiente. Trabalhando em estreita colaboração com a ACL entre outras instituições congéneres, o EASAC representa a voz coletiva da ciência europeia junto das instituições da UE e da sociedade. Em 2025, foram produzidos outros dois relatórios para os quais a ACL também contribuiu: i) “Security of Sustainable Energy Supplies”; este relatório, sobre a segurança de sistemas de fornecimento de energia, foi anteriormente apresentado e discutido na ACL, simbolicamente no dia anterior ao recente apagão elétrico ii) “Meat Alternatives“ que pretende responder às preocupações em torno da produção e consumo de carne convencional e explorar a utilização de diferentes novas tecnologias; contamos apresentá-lo e discuti-lo na ACL assim que o seja pelo EASAC. Todos estes aspetos foram destacados, numa pequena intervenção inicial, pela Secretária-Geral da ACL, Isabel Sá Correia, que representou a ACL no Conselho do EASAC no período de elaboração destes relatórios.
O relatório foi apresentado por um dos coautores, o académico José Miguel Cardoso Pereira do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa, a que se seguiu outra apresentação pela académica Helena Freitas, da Universidade de Coimbra, que participou, também por indicação da ACL, na revisão do relatório.
O debate que se seguiu à apresentação do relatório foi moderado pelo jornalista José Manuel Fernandes do Observador. Nele intervieram, para além dos referidos académicos, Tiago Oliveira, Presidente da Agência para a Gestão Integrada dos Fogos Rurais e também coautor do relatório, Francisco Cordovil do ISCTE– Instituto Universitário de Lisboa, Teresa Pinto Correia da Universidade de Évora; Presidente do Laboratório Associado CHANGE, e Domingos Xavier Viegas da Universidade de Coimbra e Coordenador do Centro de Estudos de Incêndios Florestais. O debate foi vivo na análise do relatório e suas recomendações no contexto nacional.
Estiveram presentes, na ACL ou em teleconferência, convidados representantes da Agência de Gestão Integrada de fogos (AGIF), da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), do Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA), da Liga Portuguesa dos Bombeiros, da Guarda Nacional Republicana, da Direção-Geral da Alimentação e Veterinária, Companhia de Seguros e Centros de Investigação, Laboratórios Colaborativos e outras Instituições ligados às florestas e a fogos rurais.
Documento do Mês (AH) | JULHO 2025
Carta de António de Albuquerque Betencourt, ouvidor na região do Rio Negro, dirigida a Alexandre António das Neves Portugal, guarda-mor, sobre o envio de artefactos indígenas e de uma cabeça humana dissecada (3 de dezembro de 1818)
Código de referência: PT/ACL/ACL/D/001/000062
O Arquivo Histórico da Academia das Ciências de Lisboa divulga, no mês de julho, uma carta enviada em 1818 por António de Albuquerque Betencourt, então ouvidor na Barra do Rio Negro, no Amazonas, ao guarda-mor da Academia, Alexandre António das Neves. Neste documento, que surge acompanhado de uma “descrição” detalhada dos objetos em duas folhas, António de Albuquerque informa sobre o envio de uma cabeça humana dessecada, bem como de armas e adornos utilizados, recolhidos durante a sua permanência na Amazónia. A remessa teria como propósito o enriquecimento do acervo da Academia, destinando-se à ilustração da história e dos costumes indígenas em contexto museológico e científico. Embora este documento não esteja diretamente relacionado com a célebre expedição amazónica do naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira (1756–1815), inscreve-se num mesmo paradigma oitocentista de recolha de materiais etnográficos e naturais em territórios colonizados. O Museu da Academia conserva ainda hoje um importante acervo etnográfico constituído nesse contexto e que convida a um olhar crítico sobre as práticas históricas de circulação do património cultural indígena.
Arquivo Histórico da Academia das Ciências de Lisboa








