Devido ao programa de obras prolongadas de renovação do Teatro Nacional de São Carlos (TNSC), a Academia das Ciências de Lisboa (ACL) celebrou com a OPART (entidade que administra o TNSC e a Companhia Nacional de Bailado) um protocolo de colaboração que permitirá a realização de espetáculos musicais e masterclasses nas instalações da ACL. Permitirá também a instalação do acervo do Centro de Documentação Histórica do TNSC na sala Alexandre Herculano da ACL, com vista ao seu inventário sistemático e à sua consulta e leitura pelos utentes interessados. Como contrapartida para a utilização deste espaço, a OPART-TNSC financiará uma bolsa de investigação destinada a alunos inscritos em cursos de mestrado ou de pós-graduação que desenvolvem os seus projetos de trabalho sobre as coleções patrimoniais (biblioteca, arquivo e museu) da ACL.
Trata-se de uma colaboração com benefícios mútuos que permite valorizar a missão institucional da ACL e do TNSC.
Bolsas de Doutoramento em ambiente não académico
A Academia das Ciências de Lisboa aceita manifestações de interesse de candidatos a bolsas de doutoramento em ambiente não académico, de acordo com as condições deste concurso aberto pela FCT.
Toda a informação sobre este concurso, cujo prazo termina a 18 de abril de 2024, está disponível aqui
Os candidatos que estejam inscritos (ou que tencionem inscrever-se) em ciclos de estudos conducentes à obtenção do grau de doutor, e que queiram indicar a Academia das Ciências de Lisboa como instituição parceira de acolhimento, deverão formalizar o seu interesse enviando CV resumido, plano de trabalhos e prova de inscrição (ou declaração substituta) para o endereço geral [at] acad-ciencias.pt , indicando no assunto a referência “BD não académicas”, até às 12:00 de dia 12 de abril de 2024.
A confirmação de aceitação da Academia das Ciências de Lisboa será realizada até às 17:00 de dia 15 de abril de 2024. Para obtenção de quaisquer esclarecimentos adicionais deverá ser utilizado o mesmo endereço de e-mail.
Academia das Ciências de Lisboa lamenta o falecimento de José Rueff
Lisboa, 13 de março de 2024 – A Academia das Ciências de Lisboa (ACL) lamenta profundamente o falecimento do seu sócio efetivo José Rueff, ocorrido no dia 12 de março de 2024.
O Professor José Rueff era um eminente médico e investigador que dedicou a sua vida ao estudo e desenvolvimento da genética molecular humana. A sua vasta obra científica e a sua paixão pelo conhecimento marcaram profundamente a comunidade científica portuguesa e internacional.
Membro da ACL desde 2010, o Professor José Rueff integrou a 6ª secção da Classe de Ciências da Academia – Ciências Médicas e da Saúde, onde contribuiu de forma exemplar para o desenvolvimento das atividades científicas da instituição, chegando a ser membro integrante do Conselho Científico.
A ACL reconhece e agradece o valioso contributo do Professor José Rueff para o desenvolvimento da ciência e da cultura em Portugal.
Neste momento de luto, a ACL apresenta as suas mais sentidas condolências à família e amigos do Professor José Rueff.
Concurso Aberto para Técnico Superior na Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa
Encontra-se aberto concurso de mobilidade interna para 1 lugar na carreira e categoria de técnico superior para a Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa. Oferta disponível na Bolsa de Emprego Público (BEP), em OE202403/0302.
João Almeida Flor (1943-2024)
A Academia das Ciências de Lisboa e os Estudos Anglísticos em Portugal ficam mais pobres com a partida de João Almeida Flor. Será recordado com saudade pelos amigos, discípulos e colegas que com ele de perto conviveram, sobretudo na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
João Almeida Flor foi um dedicado membro da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa. Em novembro passado deliciou os que o escutaram sobre “Hamlet na Serra Leoa”, surpreendente revelação de um espetáculo cénico shakespeariano, em 1607, a bordo de uma nau portuguesa da Carreira da Índia, testemunhado por um comandante naval britânico. A comunicação pode ser revista aqui.
Há poucas semanas enviou-nos aquele que terá sido um dos últimos textos que escreveu: a entrada para o Dicionário Histórico-Biográfico da Academia das Ciências de Lisboa sobre William Julius Mickle (1734-1788), autor da segunda tradução inglesa de Os Lusíadas, publicada em 1776, e que foi um dos primeiros sócios correspondentes estrangeiros da Academia.
Aos familiares de João Almeida Flor apresentamos sentidas condolências.
Destaque da Biblioteca | Microcosmos
O Microcosmo que Contém Diversos Quadros da Vida Humana” é uma obra literária traduzida do francês para o português por Carlos Del Sotto, publicada em 1702. Este livro é uma coletânea de narrativas que retratam diferentes aspetos da vida humana. O termo “microcosmo” sugere que a obra aborda uma diversidade de situações e personagens que refletem a complexidade da existência humana numa escala reduzida, como um universo em miniatura. A tradução para o português facilitou o acesso a esta obra em países de língua lusófona, contribuindo para a disseminação de ideias e narrativas na época.
Documento do Mês (AH) | Março
Carta de José Júlio Bettencourt Rodrigues dirigida a José Maria Latino Coelho, Secretário, esclarecendo o modo como se encontra planeada a construção da Secção Fotográfica, serviço pertencente à Direção Geral dos Trabalhos Geodésicos, Topográficos, Hidrográficos e Geológicos do Reino, em espaço concedido no edifício da Academia das Ciências de Lisboa, remetendo planta do projeto
Cota: Classe de Ciências, Correspondência, cx. 2B, José Júlio Bettencourt Rodrigues, n.º 3
A Secção Photographica da Direção Geral dos Trabalhos Geodésicos, Topográficos, Hidrográficos e Geológicos do reino era criada por portaria régia a 15 de novembro de 1872, consolidando uma realidade institucional que o seu principal impulsionador, José Júlio Rodrigues (1843-1923), lente de química da Escola Politécnica de Lisboa, procurava, desde há anos, afirmar em Portugal. De facto, registaram-se várias propostas do estabelecimento de um serviço especializado em fotografia, não apenas para o aperfeiçoamento da sua técnica, como no seu instrumento científico ao serviço da cartografia e geografia nacionais.
Foi, assim, com base na sua relação de membro da Classe de Ciências, que José Júlio Rodrigues entende propor a instalação da Secção Fotográfica no edifício da Academia das Ciências de Lisboa. A 14 de fevereiro de 1856, em resposta a ofício remetido pelo Secretário, José Maria Latino Coelho, o académico esclarecia de que modo se encontrava planeada a construção do espaço concedido no terraço interior, cujas despesas ficariam integralmente a cargo da Direção-Geral. A fim de demonstrar a praticabilidade da sua proposta, José Júlio Rodrigues anexa à sua carta uma planta legendada do projeto, a partir da qual se pode inferir a localização prevista no edifício. De facto, ainda que pareça ter existido autorização da parte da direção académica para a criação deste espaço, a sua construção não se chegou a realizar, ficando por conhecer as circunstâncias que levaram ao embargo deste projeto.
Apenas sete anos em funcionamento, a Secção Fotográfica da Direção Geral dos Trabalhos Geodésicos, Topográficos, Hidrográficos e Geológicos do reino acabou por ser extinta a 27 de dezembro de 1879, ficando designada a transferência de todo o seu material para a Imprensa Nacional, por ordem do Ministério das Obras Públicas.
Destaque do Museu | Falsos ídolos de divindade
No contexto da celebração do tricentenário do seu nascimento, a Academia das Ciências de Lisboa presta homenagem a Frei Manuel do Cenáculo Villas-Boas (1724-1815). Provincial da Ordem Terceira de São Francisco e sócio da Academia, destacou-se como um ávido colecionador de obras literárias, antiguidades e um fervoroso defensor do conhecimento público.
Entre as suas múltiplas contribuições inclui-se a fundação de diversas bibliotecas em todo o país, incluindo a construção da Livraria do Convento da Nossa Senhora de Jesus – espaço atualmente conhecido como Salão Nobre – para a qual doou milhares de livros da sua coleção pessoal. Envolvido neste cenário característico da ilustração, Frei Manuel do Cenáculo incentivou ainda a criação de gabinetes de antiguidades, visando utilizar a cultura material como um meio de inspiração e aprendizagem. Estes gabinetes, especializados em objetos antigos como moedas, medalhas e peças arqueológicas, estavam frequentemente associados a bibliotecas para facilitar o seu estudo.
Nas coleções do Museu da Academia das Ciências de Lisboa existe um conjunto de objetos que se assume terem pertencido às coleções do religioso. Exemplo são os dois objetos de terracota, cujas características técnicas, iconográficas e epigráficas – como os carateres tartéssios “inventados” na inscrição – indica tratar-se de falsos, que pretendiam passar por ídolos pré-romanos. No entanto, o objetivo destas peças não era de natureza mercantilista, mas de ilustrar categorias de objetos suscetíveis de poderem idealizar produções autênticas, mas que não estavam disponíveis na Academia. Ambos são datáveis, muito provavelmente do último quartel do século XVIII, uma vez que refletem o interesse suscitado pelos estudos pioneiros sobre epigrafia tartéssica, empreendidos nesses anos por Manuel do Cenáculo, conforme documentado pelo seu famoso Álbum Cenáculo. Esta ideia é reforçada pelas semelhanças apresentadas entre algumas peças falsas dos gabinetes de antiguidades da Real Academia das Ciências de Lisboa, da Real Biblioteca Pública da Corte e do Reino, da Biblioteca do seu Palácio Episcoal de Beja e da Biblioteca de Évora, que acabaram no Museu de Évora.
Conheça o património da Academia das Ciências de Lisboa e o seu Museu, todos os dias úteis, exceto feriados, entre as 14h00 e as 17h00.
Concurso Aberto para Bolsa de Investigação na Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa
Encontra-se aberto concurso para atribuição de uma bolsa de investigação (BI) no âmbito da Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa. Nos termos do Regulamento de Bolsas de Investigação da Academia das Ciências de Lisboa (ACL), estabelecido pelo Regulamento n.º 582/2022, conforme publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 123 de 28 de junho de 2022, disponível no site oficial da ACL, e de acordo com o Estatuto do Bolseiro de Investigação Científica, aprovado pela Lei n.º 40/2004.
O bolseiro selecionado participará em atividades relacionadas com o desenvolvimento de um sistema de informação destinado a apoiar a transcrição, anotação e publicação do catálogo da biblioteca privada do Abade José Correia da Serra. O catálogo em questão consiste numa digitalização de um manuscrito contendo 492 páginas com 1580 fichas bibliográficas.
O objetivo principal é analisar o problema e conceber uma solução na forma de um sistema online. Este sistema permitirá a gestão individual e agregada das imagens de cada ficha, a transcrição estruturada do conteúdo, a classificação e anotação desse conteúdo, bem como a ligação a referências externas, como catálogos de bibliotecas e wikidata, seguindo as boas práticas para bibliotecas digitais e web semântica.
O ambiente de trabalho colaborativo será acessível apenas a utilizadores registados, com uma interface pública para pesquisa e navegação.
Os interessados deverão consultar o regulamento e as condições de candidatura Aqui
Fim do prazo de candidatura: 8 de março de 2024
Para mais informações, contacte o seguinte email: geral [at] acad-ciencias.pt
A Academia das Ciências de Lisboa espera contar com candidaturas qualificadas e motivadas para contribuir para este importante projeto de preservação e divulgação do património bibliográfico.









