Mergulhe na rica história da viticultura portuguesa com o manuscrito original e assinado “Estudos Ampelographicos: Monografias de João Marques de Carvalho”, datado de 1910. Este tesouro histórico, escrito por um sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa, oferece um estudo detalhado e aprofundado da área, enriquecido por desenhos a tinta da China que ilustram com mestria os conceitos explorados.
O documento pode ser consultado no catálogo online da Biblioteca da ACL aqui.
Originado nos Estados Unidos da América, o Dia da Mãe foi oficializado como data comemorativa nos inícios do século XX. Em Portugal, Inicialmente a comemoração era celebrada a 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição, mas foi alterada para o primeiro domingo de maio na década de 1970. Para assinalar a data, destacamos uma escultura de vulto representativa da Nossa Senhora da Conceição, um dos títulos conferidos à Virgem Maria. Executada em alabastro, com ornamentação dourada, a simbologia da figura está frequentemente associada ao amor, dedicação e maternidade. O Museu Maynense deseja a todos um Feliz Dia da Mãe, data que celebra não só mães, como as diversas figuras maternas e femininas com as quais temos contacto ao longo da vida. Aproveite para conhecer o património da Academia das Ciências de Lisboa e o seu Museu, todos os dias úteis, exceto feriados, entre as 14h00 e as 17h00.
Ofício da Academia das Ciências dirigido a D. Maria I dando conta dos trabalhos literários, requerendo privilégio para impressão e publicação dos mesmos
Código de referência: PT/ACL/ACL/C/016/000008
Após a fundação da Academia das Ciências de Lisboa com o beneplácito régio, expresso em aviso datado de 24 de dezembro de 1779, importava aos académicos definirem linhas de atuação relativas à organização e publicação bibliográfica da instituição “que pelo decurso do tempo lhe parecerem dignas, e úteis ao Público”. Em ofício dirigido a D. Maria I (r. 1777-1815), apresentam-se os trabalhos empreendidos e aqueles que procurará, no futuro, desenvolver. A par da publicação das “Memórias”, contempladas no Plano de Estatutos (1780), e do primeiro volume do Dicionário da Língua Portuguesa (1793), refere-se ainda como objetivo a impressão de obras literárias e de documentos inéditos da história portuguesa, bem como da edição de uma publicação periódica de notícias literárias, que comunicasse os adiantamentos mais recentes da Ciência portuguesa. Considerando o volume dos trabalhos e os custos de impressão associados, requerem junto de Sua Majestade prerrogativas específicas para salvaguardar a exclusividade de impressão dos trabalhos literários oferecidos e assegurar que nenhum outro periódico incluísse notícias “que directamente dizem respeito à perfeição e augmento das Sciencias e das Artes, por meio de descobrimentos novos, viagens, publicação de livros e programas da Academia”. Requeriam ainda os académicos privilégio para a composição e edição de um mapa civil e literário, que em jeito de almanaque, dessa “notícia dos nascimentos, empregos e assistência” informando acerca dos principais serviços do Reino.
Em apenas um ano, o Dictionary of the Portuguese Language (DLP) da Academia das Ciências de Lisboa registou 1,3 milhões de acessos, uma conquista alcançada graças ao empenho da equipa do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa (ILLLP). As consultas, provenientes de 87 países, atestam o DLP como uma ferramenta fundamental para o conhecimento e difusão da língua portuguesa em todos os continentes. É ainda importante destacar que a ampla adesão e a relevância deste recurso lexicográfico resultam dos valiosos contributos enviados pelo público. Estas contribuições têm sido essenciais para o contínuo melhoramento do dicionário. «A resposta do público ao nosso apelo tem sido notável, refletindo-se não apenas num retorno positivo, mas também profundamente construtivo», considera Ana Salgado, presidente do ILLLP e investigadora do Centro de Linguística da Universidade NOVA de Lisboa.
O DLP é fruto da revisão e atualização contínua do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, originalmente publicado em dois volumes em 2001, agora em versão digital. Atualmente composto por cerca de 102 mil entradas, apresenta aproximadamente 225 mil definições, classificações gramaticais, sinónimos, informação sobre a origem da maioria das palavras e muitas outras curiosidades.
«O envio de novas entradas e sentidos pelos nossos utilizadores tem sido crucial para a atualização do DLP, refletindo um trabalho colaborativo. Diariamente, registamos palavras novas, como, por exemplo, sovietologia, israelo-palestiniano, biocapacidade, transumanismo, tecnofobia, tecnofilia, élfico, dataísmo, chatbot, parkour», refere Leonor Martins, bolseira do ILLLP e colaboradora do Centro de Linguística da Universidade do Porto (CLUP). Ana Salgado, coordenadora do dicionário, acrescenta que: «Entre as palavras mais pesquisadas, destacam-se: idadismo, desnazificação, micromachista, ciberassédio, ciberataque, prequela and estagflação. Estes vocábulos não só refletem os avanços e desafios da nossa sociedade, como também são um convite à exploração de novos horizontes.» Por sua vez, Leonor Reis, também bolseira do ILLLP e colaboradora do Centro de Linguística da Universidade NOVA de Lisboa, destaca: «A prioridade tem sido registar vocábulos que continuam em falta e cuja dicionarização se impõe, mas há também espaço para o registo de regionalismos, como abaladiça, abelhinha, chancas, corisca, estorrina, farfalhos, jacó, marafado, requitó, tratuário, entre muitos outros.» As duas bolseiras do ILLLP dedicam-se não apenas ao trabalho lexicográfico stricto sensu, mas também à divulgação dos conteúdos por meio das redes sociais, procurando divulgar o recurso e responder a potenciais dúvidas dos utilizadores.
«Embora o retorno seja bastante encorajador, é importante salientar que continuamos a enfrentar desafios significativos na obtenção de financiamento para sustentar o desenvolvimento contínuo deste valioso projeto», remata Ana Salgado, presidente do ILLLP.
Neste primeiro ano de existência no digital, o DLP não apenas consolidou a sua posição como um recurso lexicográfico de referência, como também demonstra o seu papel vital na promoção e preservação da língua portuguesa em todo o mundo. Este marco é motivo de celebração não apenas para a Academia das Ciências de Lisboa, mas para todos os amantes da língua e cultura lusófonas.
Academy of Sciences of Lisbon
Institute of Lexicology and Lexicography of the Portuguese Language
Com profunda mágoa lamentamos informar que faleceu Eugénio Lisboa, sócio efetivo da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa. Natural de Moçambique, engenheiro eletrotécnico de formação e de início de profissão, foi como poeta, ensaísta, memorialista e crítico literário que Eugénio Lisboa se impôs como figura marcante da cultura portuguesa, especialmente pelos escritos dedicados à obra de José Régio. Foi durante 17 anos conselheiro cultural na Embaixada de Portugal em Londres. Presidiu à Comissão Nacional da UNESCO entre 1995 e 1998. Um dos seus últimos livros publicados (Vamos Ler – um cânone para o leitor relutante. Lisboa: Guerra & Paz, 2021) é um admirável hino ao prazer da leitura, que procurou incutir aos seus leitores, mais ou menos relutantes. A Academia das Ciências de Lisboa presta homenagem a este seu ilustre membro e apresenta à família sentidas condolências.
O Dicionário Histórico-Biográfico da Academia das Ciências de Lisboa (DHB) é uma obra de referência que reúne informações biográficas sobre os membros da Academia, desde a sua fundação em 1779 até à atualidade. Organizado por entradas dedicadas a cada membro, o DHB inclui dados biográficos relevantes, atividades académicas e profissionais, e bibliografia ativa e passiva. Além disso, oferece verbetes temáticos (a facultar oportunamente) sobre os núcleos institucionais da Academia e balanços historiográficos sobre períodos ou temas importantes da sua história. Brevemente, o DHB disponibilizará funcionalidades de pesquisa avançada que permitam a pesquisa por nome, categoria de sócio, cargos diretivos, período histórico e classe/secção. Nas referências bibliográficas de cada entrada será criada uma hiperligação à pasta digitalizada do processo académico de cada membro que se conserva no Arquivo Histórico da ACL. Pretendendo ser uma ferramenta de pesquisa fundamental para estudos sobre a história da Academia e da ciência e cultura em Portugal, o DHB será atualizado periodicamente com novas entradas e recursos. Está também prevista a publicação futura de uma versão impressa. As primeiras 100 entradas do DHB já estão disponíveis em acesso abertoaqui.
Convidamos todos a consultar o DHB e a contribuir com sugestões e comentários. Esperamos que esta ferramenta seja útil para a comunidade académica e para todos os que se interessam pela história da ciência e da cultura em Portugal.
Livro de cantochão – Manuscrito original de música religiosa
Este livro de cantochão é um manuscrito original de música religiosa, possivelmente dos séculos XVII ou XVIII. Encadernado em couro com ferros secos e decorado com letras capitulares iluminadas, o exemplar apresenta características que o tornam um bem cultural com valor histórico e artístico. O exemplar da ACL é proveniente do Legado Esteves Pereira. Atualmente integra a série de manuscritos azuis, coleção que reúne obras de grande importância para a história da cultura portuguesa. As peças musicais que contém permitem-nos conhecer as práticas litúrgicas e as formas de expressão musical em vigor em séculos passados. O livro de cantochão é um objeto de estudo e contemplação para musicólogos, historiadores e amantes da cultura. A sua beleza estética e o seu valor histórico fazem dele um tesouro a ser preservado e valorizado.
Placa comemorativa da fundação da Instituição Vacínica
No mês em que se comemora o Dia Mundial da Saúde, celebramos um marco importante na História da instituição: a fundação da Instituição Vacínica. Após a descoberta da vacina da varíola por Edward Jenner, em 1798, coube à Academia Real das Ciências de Lisboa o lançamento do primeiro programa sistemático, extensivo a todo o território nacional, de vacinação contra a doença. Na assembleia ordinária dos seus sócios efetivos, realizada a 8 de abril de 1812, o médico e académico Bernardino António Gomes propôs a ideia de promover a criação de comissões vacínicas «a benefício da Saúde Pública». Assim nascia a Instituição Vacínica que fomentou condições para a disseminação do processo de inoculação em todo o país e reuniu informações das experiências observadas de modo aperfeiçoar a sua aplicação. Ao núcleo inicial – constituído pelos sócios médicos Francisco Soares Franco, Francisco de Melo Franco e José Martins da Cunha Pessoa – associaram-se posteriormente muitos outros nomes, unidos pelo compromisso público e social. Através dos relatórios publicados sabemos que terão sido vacinados 89.979 indivíduos entre 1812 e 1822. Não ignoramos o papel fundamental das mulheres neste esforço coletivo, como documenta a placa comemorativa localizada na antecâmara da Sala das Sessões. A primeira inoculação foi realizada por Ângela Tamagnini na cidade de Tomar, seguida pelos contributos de Maria Isabel Van Zeller, Luísa Adelaide de Magalhães Coutinho e Ana Raquel Cid de Madureira. Convidamo-lo a saber mais através de uma visita à exposição documental localizada na antecâmara da Sala de Leitura da Academia das Ciências de Lisboa.
Carta de Louis Pasteur dirigida a José Maria Latino Coelho, Secretário, agradecendo a sua eleição para sócio da Academia das Ciências de Lisboa.
Código de referência: PT/ACL/ACL/C/001/1886-04-01/LP
Em carta dirigida ao Secretário da Academia das Ciências de Lisboa, José Maria Latino Coelho, à data de 22 de abril de 1886, o químico francês Louis Pasteur (1822-1895) agradecia formalmente a sua eleição para sócio correspondente da mesma academia, distinção que recebera por votação dos seus consócios em assembleia no dia 1 de abril. A sua eleição coincidiu precisamente com o período em que Pasteur assumira a dianteira na investigação microbiológica com a descoberta da vacina contra o carbúnculo em 1879 e a vacina antirrábica testada em 1885, por exemplo. Por sua vez, a aproximação da ACL aos principais rostos do avanço científico oitocentista, de que é exemplo Pasteur, atesta precisamente a continuidade do compromisso assumido na sua fundação com o conhecimento científico moderno. De facto, recorde-se que neste campo e no contexto nacional, no início do século XIX teria já a ACL assumido esse pioneirismo com a fundação da Instituição Vacínica para o combate à varíola (então designada por “bexigas”), regulamentada em 1812 e na qual reside a génese do Conselho Superior de Saúde Pública do Reino, anexada por decreto em 1844 (vide “Collecção de Opusculos sobre a vaccina feitos pelos sócios da Academia Real das Sciencias, que compõem a Instituição Vaccinica: e publicados de ordem da mesma Academia”).
Devido ao programa de obras prolongadas de renovação do Teatro Nacional de São Carlos (TNSC), a Academia das Ciências de Lisboa (ACL) celebrou com a OPART (entidade que administra o TNSC e a Companhia Nacional de Bailado) um protocolo de colaboração que permitirá a realização de espetáculos musicais e masterclasses nas instalações da ACL. Permitirá também a instalação do acervo do Centro de Documentação Histórica do TNSC na sala Alexandre Herculano da ACL, com vista ao seu inventário sistemático e à sua consulta e leitura pelos utentes interessados. Como contrapartida para a utilização deste espaço, a OPART-TNSC financiará uma bolsa de investigação destinada a alunos inscritos em cursos de mestrado ou de pós-graduação que desenvolvem os seus projetos de trabalho sobre as coleções patrimoniais (biblioteca, arquivo e museu) da ACL. Trata-se de uma colaboração com benefícios mútuos que permite valorizar a missão institucional da ACL e do TNSC.