António Lobo Antunes

António Lobo Antunes (1942-2026) 

Com profunda tristeza soubemos que morreu hoje, 5 de março de 2026,  António Lobo Antunes. Os seus leitores perdem um dos maiores escritores da literatura contemporânea e um vulto marcante da cultura portuguesa. Mas a sua vasta obra, traduzida em várias línguas, é imortal e universal. 

Médico militar durante a guerra colonial, psiquiatra depois no Hospital Miguel Bombarda, cedo veio a preferir a escrita como profissão. Recebeu diversos prémios literários nacionais e internacionais, foram-lhe outorgadas altas condecorações de Estado, em Portugal e no estrangeiro, e foi várias vezes nomeado para o prémio Nobel da Literatura. 

Foi eleito Sócio Correspondente para a  secção Literatura e Estudos Literários, da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa, em 6 de dezembro de 2016.

A Academia das Ciências de Lisboa presta homenagem a este seu destacado membro e apresenta sentidas condolências aos familiares e amigos de António Lobo Antunes.

Irene FOnseca

Prémio Universidade de Lisboa 2024 atribuído à académica Irene Fonseca

A Academia das Ciências de Lisboa felicita a Distinta University Professor na Carnegie Mellon University (CMU)  Irene Fonseca, sua sócia correspondente estrangeira, pela atribuição do Prémio Universidade de Lisboa

A decisão da atribuição do Prémio Universidade de Lisboa a Irene Fonseca foi divulgada esta quarta-feira, 4 de março de 2026.  De acordo com a deliberação do júri do Prémio da Universidade de Lisboa, esta distinção pretende tornar público o reconhecimento pela “liderança científica mundial e impacto fundamental na matemática contemporânea e por um percurso de excecional rigor e mérito académico que, partindo da Universidade de Lisboa, afirmou Portugal no mapa da ciência internacional”.

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Estudo sobre a Igualdade de Género nas Organizações Científicas

O International Science Council /Conselho Internacional de Ciência (ISC), a InterAcademy Partnership /Parceria Interacadémica (IAP) e o Standing Committee for Gender Equality in Science /Comité Permanente para a Igualdade de Género na Ciência (SCGES) realizaram, durante 2025, um estudo global sobre a igualdade de género nas organizações científicas. O Relatório Towards gender equality in scientific organizations:assessement and recommendations, DOI: 10.24948/2026.0, foi publicado em fevereiro de 2026 e apresenta a avaliação global mais abrangente, até à data, sobre o tópico. Encontra-se disponível em: https://council.science/publications/towards-gender-equality-in-scientific-organizations/.

As academias de ciências, medicina e engenharia, em conjunto com as associações científicas internacionais, desempenham um papel importante na definição das agendas científicas, no reconhecimento da excelência científica e no aconselhamento dos decisores políticos. As persistentes disparidades de género nestas organizações, considerando a participação das mulheres na força de trabalho científico, levantam questões sobre a possibilidade de estas poderem participar, liderar e ser reconhecidas nessas organizações em condições de igualdade. A análise descrita no relatório baseia-se em dados obtidos de 136 organizações, respostas a questionários de quase 600 cientistas e uma dezena de entrevistas com representantes de organizações científicas. Tendo por base inquéritos online realizados em 2015 e 2020, o estudo oferece uma perspetiva da evolução, durante dez anos, sobre o progresso e as lacunas que persistem. Identifica barreiras estruturais à igualdade de género e destaca áreas em que as políticas e práticas institucionais contribuíram para alterações mensuráveis.

Principais conclusões do Estudo (com base no divulgado pelos autores)

O progresso é real, embora desigual. Apesar dos ganhos globais desde 2015, as mulheres continuam a estar sub-representadas nas organizações científicas face à sua participação na força de trabalho científico global.

Nas academias nacionais, as mulheres representavam, em média, 19% dos seus membros em 2025, enquanto eram 12% em 2015 e 16% em 2020. Acresce que a proporção de academias com uma representação muito baixa (menos de 10% de mulheres entre os membros) caiu cerca de metade desde 2015.

Nas uniões científicas internacionais, a representação feminina varia principalmente por área, refletindo diferenças nas trajetórias disciplinares e não nos contextos nacionais ou institucionais. As disparidades de género na representação não decorrem de restrições explícitas à elegibilidade das mulheres.

A maioria das organizações científicas reporta procedimentos formalmente abertos e baseados no mérito. No entanto, os processos de nomeação conduzidos pelos membros existentes, juntamente com a dependência de redes informais, continuam a moldar quem é identificado e nomeado. Na maioria dos casos, as mulheres continuam sub-representadas nas listas de nomeações em relação à sua presença na comunidade científica. Uma vez nomeadas, porém, as mulheres são eleitas com taxas ligeiramente superiores à sua participação nas listas de nomeações, indicando que as principais restrições se verificam antes das decisões formais de seleção.

A representação nas academias não equivale a influência. Embora a representação feminina tenha aumentado em muitas organizações, tal não se traduziu consistentemente em cargos de liderança e de tomada de decisão. As mulheres continuam sub-representadas em cargos de presidência e em órgãos de direção superiores, indicando que a influência dentro das organizações permanece desigualmente distribuída. A participação é comparável; as experiências e oportunidades não. As mulheres que servem em organizações científicas participam como os homens mas isso não leva a uma progressão ou reconhecimento comparáveis.

Embora as políticas e práticas de igualdade de género estejam cada vez mais presentes, ainda estãopouco institucionalizadas. Mais de 60% das academias e uniões internacionais referem ter apresentado documentos ou iniciativas políticas com o objetivo de promover a igualdade de género. No entanto, estes esforços limitam-se geralmente à sensibilização ou ao incentivo, e raramente são apoiados por estruturas dedicadas, recursos financeiros ou humanos, ou mecanismos de avaliação. Como resultado, os esforços em prol da igualdade de género tendem a manter-se à margem dos principais processos de governação e, muitas vezes, dependem mais do empenho dos intervenientes individuais do que de um envolvimento institucional sustentado.

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Colóquio “Lhéngua mirandesa: tradiçon i feturo” reuniu especialistas, instituições e comunidade em torno da língua mirandesa

No passado dia 20 de fevereiro de 2026, no âmbito das celebrações do Dia Internacional da Língua Materna, realizou-se, na Casa Comum da Universidade do Porto, o colóquio “Lhéngua mirandesa: tradiçon i feturo”, promovido pelo Centro de Estudos Mirandeses, o Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa e o Centro de Linguística da Universidade do Porto.

Ao longo de um dia de reflexão, partilha e celebração, o encontro reuniu investigadores, docentes, representantes institucionais e agentes culturais para pensar a língua mirandesa nas suas várias dimensões: património, ensino, criação artística, território, documentação histórica, políticas linguísticas e futuro.

As intervenções evidenciaram a vitalidade do mirandês e a importância do trabalho conjunto entre comunidade, escola, investigação e instituições públicas. Ficou também clara uma ideia central do colóquio: “tradiçon i feturo” não é apenas um tema — é um programa de trabalho, que exige continuidade, cooperação e compromisso.

O evento contou ainda com momentos de forte simbolismo cultural, incluindo a participação dos Pauliteiros de Miranda, sublinhando que a tradição se mantém viva quando é partilhada, praticada e renovada.

O Livro de Resumos, publicado em acesso aberto, constitui um primeiro passo para preservar e divulgar o conhecimento produzido neste encontro, abrindo caminho a novas parcerias, projetos e iniciativas em torno da língua mirandesa.

Biba la lhéngua mirandesa!

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Pedido de participação | O que pedir a um dicionário inteligente

O Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa (ILLLP) da Academia das Ciências de Lisboa está a trabalhar para melhorar a forma como as pessoas interagem com dicionários digitais. Para isso, quer descobrir novas maneiras de explorar o conhecimento de um dicionário de língua portuguesa.

Normalmente, para consultar um dicionário (em livro ou online catalog), procuramos uma palavra e acedemos ao respetivo verbete ou entrada. Este é o modo de consulta mais habitual, e praticamente o único, desde que existem dicionários. No entanto, este modelo é muito rígido e pode ser limitador, porque nem sempre permite tirar partido de todo o conhecimento que um dicionário guarda, de forma implícita e explícita.

Para dar o seu contributo, imagine que está a conversar com o dicionário e que este lhe pode responder de imediato. Procure redigir, no mínimo, 10 perguntas que um utilizador real faria a um dicionário inteligente. 

O tempo estimado de resposta é de aproximadamente 15 a 25 minutos, variável consoante o ritmo de cada participante.

Que perguntas lhe faria?
Que respostas gostaria de receber?

Não precisa de pensar em perguntas “certas”, quanto mais variadas e pertinentes, melhor! Puxe pelo seu dicionário!

Pode, por exemplo, incluir pedidos como:
“Que palavra(s) posso usar para expressar a ideia de…?”
“Quais são os antónimos de…?”
“Como posso dizer isto de forma mais formal/informal?”
“Que palavras semelhantes existem, mas com um sentido mais específico?”

Escreva todas as perguntas que lhe ocorrerem, de forma espontânea e natural.

Declaração de consentimento do questionário: Por favor, leia atentamente as informações aqui apresentadas antes de participar.

Acesso ao formulário até final de março: https://forms.gle/7vqrnNy3KKHKFuDS6

 

Montagem para o Notícias

Rui Martins distinguido com o grau de Comendador da Ordem de Mérito de Portugal

A Academia das Ciências de Lisboa felicita o seu sócio efetivo, Rui Martins, pela distinção com o grau de Comendador da Ordem de Mérito de Portugal, atribuída pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa.

Esta distinção do vice-reitor da Universidade de Macau é um reconhecimento de Portugal pelo seu contributo para o desenvolvimento de Macau. A cerimónia decorreu no dia 11 de fevereiro no Auditório do Consulado-Geral de Portugal em Macau, onde aquele distinto membro da Classe de Ciências efetuou a apresentação intitulada Macau – Um Lugar Único!

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Consórcio PORTULAN CLARIN LVT

O consórcio PORTULAN CLARIN LVT integra a infraestrutura nacional PORTULAN CLARIN, dedicada à Ciência e Tecnologia da Linguagem, com o objetivo de apoiar a investigação, o desenvolvimento tecnológico e a inovação na língua portuguesa.

No âmbito do Programa Regional de Lisboa 2021–2027 (Lisboa 2030), foi aprovada a candidatura apresentada pela Academia das Ciências de Lisboa [LISBOA2030-FEDER-01316900], com financiamento do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), visando a expansão e o aperfeiçoamento desta infraestrutura estratégica.

A PORTULAN CLARIN integra o Roteiro Nacional de Infraestruturas de Investigação de Relevância Estratégica, promovido pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, e é parte da infraestrutura internacional CLARIN ERIC, incluída no roteiro ESFRI da União Europeia.

Consórcio

O consórcio PORTULAN CLARIN LVT é constituído pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e pela Academia das Ciências de Lisboa, cuja adesão recente reforça de forma decisiva as dimensões científica, linguística e lexicográfica da infraestrutura.

Esta colaboração representa uma aposta estratégica na preparação da língua portuguesa para os desafios da transformação digital e da inteligência artificial (IA), assegurando a sua sustentabilidade, competitividade e relevância no contexto científico e tecnológico internacional.

Objectives

O projeto tem como principais objetivos:

  • Expandir e consolidar a infraestrutura PORTULAN CLARIN enquanto referência nacional e internacional;
  • Reforçar o apoio à investigação em ciência e tecnologia da linguagem;
  • Promover a aplicação da IA à língua portuguesa, respeitando a sua especificidade linguística e cultural;
  • Assegurar o acesso aberto aos resultados do projeto, em alinhamento com os princípios da ciência aberta.

Principais Atividades

A execução do projeto permitirá:

  • O desenvolvimento de novos serviços avançados de processamento de linguagem natural, incluindo soluções baseadas em IA generativa;
  • A ampliação e enriquecimento do repositório de dados linguísticos da infraestrutura, incorporando recursos inovadores que potenciam aplicações de IA à língua portuguesa;
  • A criação e disponibilização de corpora representativos e de elevada qualidade;
  • A integração de bases lexicais e recursos linguísticos em Grandes Modelos de Linguagem (LLM);
  • A oferta de serviços avançados, como chatbots heurísticos, sistemas de transcrição multimodal e ferramentas de apoio à investigação linguística.
  • O treino de modelos de linguagem para o português.

Durante o desenvolvimento do projeto, serão disponibilizadas novas versões dos modelos de linguagem generativa desenvolvidos para a língua portuguesa, bem como outros modelos de código aberto especialmente adaptados ao português.

Estas atualizações permitirão avanços significativos em áreas como a tradução automática, os sistemas de resposta a perguntas, a análise textual e a investigação linguística, contribuindo para o fortalecimento do ecossistema digital da língua portuguesa.

Impacto e Relevância

A participação da Academia das Ciências de Lisboa reafirma o seu compromisso com o desenvolvimento tecnológico da língua portuguesa, garantindo que esta evolua em consonância com os mais recentes avanços da IA.

Este projeto contribui para a promoção da cidadania digital dos falantes de português e para a afirmação da língua como um ativo geoestratégico de primeira importância. Paralelamente, promove a cooperação científica e a internacionalização, reforçando a presença do português no ecossistema global de IA e assegurando a sua relevância e competitividade em múltiplos setores científicos, educativos, culturais e económicos.

Equipa (coordenação)

António Branco (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa)
Amália Mendes (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
Ana Salgado (Academia das Ciências de Lisboa)

 

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Direito de Publicação Secundária em debate na Academia das Ciências de Lisboa

A Academia das Ciências de Lisboa acolheu, no passado dia 5 de fevereiro, o encontro dedicado ao Direito de Publicação Secundária. A sessão teve início com as boas-vindas do Presidente da Academia das Ciências de Lisboa, José Francisco Rodrigues, e contou com as intervenções de Manuel Aleixo, do Gabinete da Comissária para as Startups, Investigação e Inovação da Comissão Europeia, de Shaofeng Hu, Diretor da Divisão de Políticas de Ciências Fundamentais da UNESCO, e de Maria Fernanda Rollo, académica da Classe de Letras, que apresentou uma proposta de intervenção legislativa em Portugal.

O encontro, que incluiu uma mesa-redonda com especialistas, decisores políticos e universitários europeus que debateu a construção de um ecossistema de conhecimento aberto na União Europeia, foi organizado pela Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas, Profissionais da Informação e Documentação (BAD), pela COMMUNIA, pela Knowledge Rights 21 e pelas Universidades de Coimbra, do Minho e Nova de Lisboa, contando com a colaboração da Academia das Ciências de Lisboa e o apoio da OPERAS-PT.

Dicionários bilingues inventariados no Acervo Lexicográfico da Academia das Ciências de Lisboa

A Academia das Ciências de Lisboa (ACL), por intermédio do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa (ILLLP), anuncia a conclusão do inventário dos seus dicionários bilingues no âmbito do Acervo Lexicográfico, uma plataforma digital dedicada à preservação, valorização e difusão de documentos que testemunham a tradição lexicográfica portuguesa. O acervo está disponível para consulta através do site http://acervolexicografico.acad-ciencias.pt/.

O Acervo Lexicográfico da ACL constitui um repositório digital que visa preservar e disponibilizar publicamente manuscritos, provas tipográficas, obras dicionarísticas e outros materiais que documentam o longo e complexo processo de elaboração dos dicionários da língua portuguesa. O acervo reúne objetos físicos conservados na Academia desde o século XVIII e, sempre que possível, disponibiliza o respetivo acesso em formato digital.

Com a conclusão desta fase, todos os dicionários bilingues inventariados encontram-se agora integrados na plataforma, juntando-se aos títulos relativos à dicionarística portuguesa já disponíveis. O acervo está organizado em diferentes categorias, permitindo uma consulta direcionada e estruturada:

  • Dicionários de língua geral: Documentos que descrevem e sistematizam o léxico do português em toda a sua extensão.
  • Dicionários especializados: Obras dedicadas a áreas específicas do conhecimento, como ciências naturais, medicina, direito ou artes, refletindo a evolução das terminologias técnicas e científicas em língua portuguesa.
  • Dicionários bilingues: Incluem obras que traduzem e comparam o léxico português com outras línguas.
  • Textos paralexicográficos: Materiais que contextualizam e refletem sobre o trabalho lexicográfico, incluindo prefácios, introduções, recensões críticas, atas de reuniões, relatórios metodológicos, pareceres de comissões, manuais de uso e correspondências relacionadas com a elaboração de dicionários.

A plataforma oferece funcionalidades avançadas de pesquisa, permitindo explorar o acervo por categoria, século, ano e autor. Para além da pesquisa geral, os dicionaristas que foram membros da ACL têm os seus registos ligados ao Dicionário Histórico-Biográfico, facilitando o acesso a informações adicionais. Cada entrada inclui, ainda, a cota do exemplar físico existente na Biblioteca da ACL.

A coordenação científica do projeto está a cargo de Ana Salgado, presidente do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa, com a colaboração de Leonor Reis e Leonor Martins, bolseiras de investigação da ACL. O projeto conta ainda com o apoio dos serviços da Biblioteca da ACL, que desempenharam um papel fundamental na inventariação e organização do acervo.

O lançamento e a conclusão dos dicionários bilingues reforçam o compromisso da Academia das Ciências de Lisboa com a preservação e promoção da língua portuguesa, celebrando a sua riqueza histórica e a vitalidade que a caracteriza. O acervo constitui um recurso imprescindível para investigadores, estudantes e todos os interessados na história da língua portuguesa e na construção do património lexicográfico nacional.